segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Abismo
Alfred Tennyson¹

Talvez o abismo nos engula
Talvez cheguemos a Atlântida
Talvez não tenhamos mais a força
de mover montanhas.
Mas somos o que somos.
  • 2 anos atrás

a despedida


Despedida
 

Correnteza abaixo, riacho frio, para o mar,
a onda libertadora ela refere:
Não mais por ti meus passos irão,
para sempre e sempre 
Corrente, doce corrente, por gramado e prado
Um riacho, então, um rio:
Agora, por ti meus passos devem ir,
para sempre e sempre
 
Mas aqui suspirará vosso carvalho
E aqui vosso arbusto estremecerá
E aqui por ti zumbirão as abelhas
para sempre e sempre
 
Milhares de sois jorrarão sobre ti,
Milhares de luas rebrilharão;
Mas não por ti meus passos irão,
para sempre e sempre.
 

lágrimas, inúteis lágrimas


Lágrimas, inúteis lágrimas


Lágrimas, inúteis lágrimas,
Não sei o que significam,
Lágrimas vindas do fundo
De alguma aflição sublime
Emergem no coração,
E chegam até os olhos,
Vendo os alegres campos outonais
E pensando nos dias que não mais existem.

Novas qual primeiro raio
Cintilando numa vela,
Que traz aqui para cima
Os amigos do submundo,
Tristes como as derradeiras
Que fazem corar alguém
Que afunda com tudo o que amamos sob a borda;
Tão tristes, estranhos dias que não mais existem.

Tristes e estranhas como em
Sombria alba de verão
Primeiro pio de aves semilúcidas
Para ouvidos moribundos,
Quando pra olhos decadentes
Lentamente a janela desenvolve
Um quadrado de luz tênue;
Tristes, estranhos dias que não mais existem.

Diletas tal qual os beijos
Na memória após a morte,
E suaves como aqueles
Que em afeto sem fé fingem
Nos lábios que são para outros;
Profunda como é o amor,
Como é primeiro amor, e insano com toda a pena;

Ó Morte em Vida, os dias que não mais existem!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Bilhete
O teu vulto ficou na lembrança guardado,vivo, por muitas horas!... e em meus olhos baçosFitei-te – como alguém que ansioso e torturadoTentasse inutilmente reavivar teus traços...
Num relance te vi – depois, quase irritadoFugi, - e reparei que ao marcar os meus passos
ia a dizer teu nome e a ver por todo lado
o teu vulto... o teu rosto... e o clarão dos teus braços!
Talvez eu faça mal em querer ser sincero,
censurarás – quem sabe? Essa minha ousadia,
e pensarás até que minto, e que exagero...
Ou dirás, que eu falar-te nesse tom, não devo,
que o que escrevo é infantil e absurdo, é fantasia,
e afinal tens razão... nem sei por que te escrevo!

(Poema de J.G. de Araujo Jorge, extraído do livro
"Meu Céu Interior", 1ª edição, setembro,1934.)

soneto john keats


" Soneto - John Keats  "
                             
( inglês - 1795-I82l )


Quando fico a pensar poder deixar de ser
antes que a minha pena haja tudo traçado,
antes que em algum livro ainda possa colher
dos grãos que semeei o fruto sazonado;

quando vejo na noite os astros a brilhar
- vasto e obscuro Universo, impenetrável mundo! -
quando penso que nunca hei de poder traçar
sua imagem com arte e em sentido profundo;

quando sinto a fugaz beleza de alguma hora
que não verei jamais - como doce miragem –
turva-se a minha mente, e a alma em silêncio chora

um impulsivo amor. E a sós, me sinto à margem
do imenso mundo, e anseio imergir a alma em nada
até que a glória e o amor me dêem a hora sonhada!
a poesia anda assim fazendo pirraça fugindo de mim , fazendo graça , me bagunça a casa , as gavetas, me desafina o violão, bate o portão, toma meu vinho, se esbarra em mim  , me joga no chão........vera lucia
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

(Cecília Meireles)

Há Um Poema Em Cada Gota de Sangue

Em tudo que você olha
Em tudo, tudo que você não vê

E tudo que você colhe,
E tudo que morre

E tudo que existe,
E aquilo que você imagina

E em cada segundo da vida há poesia,
Mas a pena se recusa a encher o papel...


alerta


Lá vem o lança-chamas
Pega a garrafa de gasolina
Atira
Eles querem matar todo amor
Corromper o polo
Estancar a sede que eu tenho doutro ser
Vem de flanco, de lado
Por cima, por trás
Atira
Atira
Resiste
Defende
De pé
De pé
De pé
O futuro será de toda a humanidade
meias palavras não bastam é preciso ...... acordar......... os tempos não voltam; quando os velhos caminhos  se esgotam
Gladíolo
De acordo com uma lenda romana as raízes do gladíolo possuem um poder mágico. Se o pendurar ao pescoço como amuleto trará sorte, poderá ajudá-lo a vencer um duelo e a salvá-lo da morte. A tradução da palavra "galdiolus" do latim é "espada".

Segundo a lenda, um cruel comandante romano segurou no braço de dois guerreiros trácios e ordenou-lhes que se tornassem gladiadores.
Os mais corajosos, destros, bonitos e amigos de longa data Sevt e Terres tinham de lutar um contra o outro.

O vencedor ficaria livre e casaria com a filha do comandante. Havia muita gente que gostava de assistir a uma luta militar. Mas, ao contrário do que era esperado, os guerreiros não chegaram a lutar. Sevt e Terres puseram as espadas no chão e ao caírem encostaram as cabeças, uma contra a outra.

O público começou a fazer muito barulho, as trombetas tocaram e os guerreiros foram mortos. Assim que os corpos caíram no chão, começaram a brotar gladíolos. Agora estas flores são consideradas como símbolos da amizade, fidelidade, memória e nobreza.
http://www.lojadasflores.pt/lendas-de-flores.php#12