sexta-feira, 29 de julho de 2011

Conto de Fadas
Eu trago-te nas mãos o esquecimento 
Das horas más que tens vivido, Amor! 
E para as tuas chagas o unguento 
Com que sarei a minha própria dor. 

Os meus gestos são ondas de Sorrento... 
Trago no nome as letras de uma flor... 
Foi dos meus olhos garços que um pintor 
Tirou a luz para pintar o vento... 

Dou-te o que tenho: o astro que dormita, 
O manto dos crepúsculos da tarde, 
O sol que é d'oiro, a onda que palpita. 

Dou-te comigo o mundo que Deus fez! 
- Eu sou Aquela de quem tens saudade, 
A Princesa do conto: “Era uma vez...” 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor

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