sábado, 5 de maio de 2012


CHEIRO DE LAVANDA

(Perséfone Diana)


Tanto destilei intima metade
Da videira, embebi de solidão
Entreguei a chave de uma saudade
Destino incerto, perigosa ilusão.

Nesse instante
desfrutar da vida branda.
Sem espaço para sombra nesse vazio.
Revela claridade me banha com lavanda
Estreitando aromas daquelas flores, senti frio.

No meu peito
Arqueiro a flecha do coração é meu sono.
Sem saber que é meu complemento
Amo-te... como a planta ama a terra sem abandono.
Discretamente sem orgulho vi em ti, meu fragmento.

O que eu espero
da sua aromada boca, são promessas
vidas peregrinas, amor fiel e verdadeiro.
Amantes em festa, na cama alma confessas
Se o tempo é incerto nos prende em cativeiro.

Nunca mais
sorverei doce verdade do amor confesso
Dormi na madrugada quente ao som de melodia
Ao despertar
os beijos da noite em vão, foram embora inconfessos
numa promessa que nunca mais teria alforria.

Em soluços
vejo colinas secas de lavanda.

Na janela olhei ao longe um vulto.
Tão cedo partiu o menino cupido
bebeu minha alma me trouxe sepulto.
Matizam lamentos com meu gemido

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